Tuesday, August 15, 2006

From Madeira with love 2

From Madeira with love 1

Sunday, June 25, 2006

Conversa com a tia Ofélia

Tia Ofélia antes de me ir embora quero dizer-lhe que penso casar com a Daniela. Com quem vives há dois anos, suponho. Sim, mas... tenho medo. Medo? sim medo, bem vê um laço definitivo... Definitivo,... definitiva é a morte. Meu filho há lá alguma coisa definitiva neste mundo. Agora na vida, ou se aposta ou não, ou se arrisca até parecer loucura, ou não vale a pena viver. E no amor isto ainda é mais radical: dá-se corpo, alma e o mais relevante para mim- a intimidade. O meu pudor passava essencialmente por aí. Soube que amava o José, quando pela primeira vez na vida (e já namoriscara alguns) senti que poderia comungar com ele a minha intimidade. Entendes isto? Entendo, mas, ....mas, mas o quê? Quando estava apaixonada poderia lá entrever um fim? Mesmo durante o namoro em que para além da paixão acrescentei o respeito pela sua personalidade, o prazer do seu cheiro ( e era tão bom o seu cheiro), de andar de mãos dadas com ele, de conversar com ele, de passear com ele, é óbvio que também não via fim algum. Depois do casamento tivemos momentos exaltantes, não te rias meu malandro, mas também muitas adversidades: o dinheiro era pouco, a primeira casa manhosa, e o mais desgastante: as angústias profissionais do José. Meu filho nem queiras saber! Fazia e refazia contas quando lhe entregavam o projecto de uma casa. Como engenheiro civil ele estava sempre à espera que a casa caísse, de forma que os cálculos para ele e para nós eram um desatino: fechava-se no escritório e ali estava horas e horas a fio com a máquina calculadora truz truz para a frente truz truz para trás. Sabes como eram aquelas máquinas mecânicas antigas? Sim tia o meu pai tinha uma. Se alguém o interrompia levava cá um berro...Quando estava descontraído então falava , falava, adorava que eu largasse tudo para o ouvir e eu muitas vezes o fazia, porque era um prazer ouvi-lo. Depois vieram o Pedro e a Ana. O Pedro era asmático, depois da puberdade graças a Deus entrou em remissão, aquilo era médico todas as semanas, noites seguidas de vigília quando ele tinha falta de ar, os nervos estavam à flor da pele e às vezes havia zangas e até palavras duras que magoavam. A Ana pequenina tinha ciúmes das atenções que dávamos ao mais velho e então de vez em quando desatava a fazer asneiras que nos pareciam propositadas, desde abrir gavetas e despejar tudo o que estava lá dentro para o chão, fazer cócó fora da sanita, dar pontapés às bonecas de que ela mais gostava, enfim não foi nada fácil. Depois descobri mais tarde que me sentia atraída por outros homens. Achei bizarro em princípio, porque me sentia satisfeita com " o meu homem", não fazia sentido. Estarei a separar-me intimamente do José? Mais tarde percebi que ter desejo é normal: basta ser sexuado. Reparava também que ele lançava alguns olhares concupiscentes para o rabo e pernas de algumas, e, no entanto, na prova dos nove, e o sorriso maroto voltou a soltar-se-lhe, continuávamos a passar com a mais elevada classificação. Riu.
Mas que deu ao Tomás para ladrar assim. Foi à janela e gritou Tomás que se passa está quieto olha para ele, dá saltos ali junto ao muro, ajuda-me meu filho que os meus olhos já me atraiçoam o que se passa? Alguém vai a passar junto ao renque de árvores lá em baixo aí a uns cem metros do muro e ele deve tê-lo pressentido. Está quieto Tomás acalma-te ah! o diabo deste cão que ainda tem faro de jovem! Mais um presente do Amilcar o meu irmão mais novo . Quando se separou da mulher vendeu a vivenda onde morava, comprou um T1 que lhe chegava muito bem e pediu-me para trazer o cão para aqui. Este rafeiro tem inimizades de estimação e o Virgolino, o que me vem arranjar o jardim, é uma delas. Ele não gosta de cães, o Tomás percebeu e então é uma embirração permanente: vai-te embora vadio, diz um, ão-ão-ão responde o outro, enfim eu que os ature. Mas ó tia chamar Tomás a um cão?!... Tens razão, o nome primitivo dele era Shift, era esse o nome que ele trazia. Mas como veio para cá cachorro, disse para mim; nã, nã, não hás-de ficar com um nome que cheira a ingleses. Olhei para ele e vi o Almirante Américo de Deus Tomás, o último presidente do Estado dito Novo, não me perguntes porquê, e comecei a chamá-lo assim e ele pelos vistos gostou, pois atende ao chamamento. Além do mais deve ser reaccionário, pois rosna quando ouve a Grândola Vila Morena . Deu uma sonora gargalhada. E o diabo do cão que não se cala! Deixe lá o cão e vamos ao que estávamos a falar, Ah! pois claro está bem onde é que eu ia. Já me lembrei, não te maces.
Um dia em que o teu tio foi para a pesca, ele nunca ia ao fim de semana era sempre em dia de semana, levantava-se aí às três da manhã, agarrava naquele instrumental de canas, carretos, anzois, engodos, enfim eu nunca fui à bola com aquele"desporto", desculpa esta maneira de falar, lembro-me bem era Agosto, eu já estava de férias mas ele ainda tinha um trabalho para apresentar, fiquei sozinha na sala (o Pedro e a Ana estavam a passar uns dias na casa de amigos, já eram crescidotes), olhei em redor e compreendi. Estava furiosa com ele já nem sei bem porquê, se calhar eu estava num daqueles dias em que me passou pela cabeça sair, fugir, ir não sei para onde, enfim um dia mau, mau mesmo, daqueles dias em que não vemos senão tudo negro e a alma está carregada de aflição, nesse dia, naquele momento, olhei para a sala onde estava sentada e reparei em todos aqueles adornos, desde fotografias a quadros, jarras, livros, pequenos objectos dos mais variados tamanhos e feitios que não tinham qualquer utilidade que não fosse estarem ali a lembrar que tinham sido comprados em tal data , em tal sítio e que me davam um trabalhão a limpar, olhei precisamente para uma fotografia do teu tio quando começámos a namorar e de repente tive a resposta a uma pergunta que há muito fazia: porque gosto tanto desta casa se ela me dá tanto trabalho e às vezes me apetece mandá-la para um sítio que eu cá sei? Eu gosto desta casa, porque esta casa é nós. Tinha sido decorada com o nosso gosto, o nosso esforço, o nosso afecto, os nossos filhos, os convívios com amigos que ali tinham decorrido. Quando cuidava dela, não estava somente a lustrar o móvel da tia Joaquina que mal conhecera, ou o aparador da avó do José que nunca vira gorda ou magra senão em fotografia, ou mesmo de peças que tinham algum valor em si e compráramos com sacrifício. Não. Aqueles objectos valiam porque eram nossos. Estava ali a nossa vida. Eu penteava aqueles adornos com desvelo, como beijava o meu marido, acariciava os meus filhos ou apreciava o meu rosto ao espelho. Eu de certo modo honrava aquela casa porque nela estava contida a minha vida no esplendor e na tristeza e nos desgostos também, mas que sempre me acolhera, como uma mãe ou um pai acolhem um filho pequeno que lhes abre os braços com vontade de mimo. Eu amava aquela casa principalmente por ela ser Ofélia e José, tal e qual. Nós cuidávamos dela, ela retribuía com bem estar. Era uma construção permanente que valia a pena continuar. Penso que quem "põe" uma casa seja casado ou solteiro sente qualquer coisa de semelhante. Empresta muito de si próprio ao espaço que ocupa. Mas naquele tempo uma "menina" só podia sonhar em ter a sua casa em comunhão com o marido. E eu fi-lo sem sacrifício algum, pelo contrário. Agradeço a Deus ter tido uma educação que me permitiu fugir aos namoros fingidos, sempre com espias por perto, fossem mamãs, maninhos, tias ou outros intrusos do género. A juventude de hoje nem imagina como eram esses tempos. Os meus pais eram classe média, deram-me um curso superior, muito invulgar para o tempo, e nunca acreditaram em virgindades guardadas pelo medo. E esta liberdade permitiu-me conviver com o José.
Mas que tem a casa a ver com a sua relação amorosa, tia? Era isso, era isso que eu te queria dizer, nesse dia compreendi que cuidar de um amor é como cuidar de uma casa. Lembrei-me de Ricardo Reis e do final da primeira estrofe-(Enlacemos as mãos)- da Ode Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. O que tínhamos feito ao longo daqueles anos de existência era enlaçar as mãos para além dos melindres mais profundos, dos êxtases, das palavras doces ou amargas, das conquistas ou dissonâncias. Tínhamos conseguido cuidar "desta casa" com desvelo, portanto
podíamos continuar juntos. E assim foi mesmo na doença e depois na morte dele.
Nada há que seja definitivo. Nada. E nós tivemos que lutar para manter viva a nossa relação. Fácil, desconfia de relações que pareçam fáceis e muito delicodoces, desculpa lá esta expressão que é do meu tempo. Sabes eu até acho que uma relação amorosa deve ser viril, é como se diz no futebol, não é ?! assim com um pouco de agressividade, não faz mal nenhum. O resto, a ternura, o diálogo, boas pitadas de paixão, são obrigatoriamente necessárias. Agora ou te apetece lutar por aquela companhia e então ama-la, ou a deixas cair e lá se vai o"definitivo" de anos atrás.
Tia Ofélia parou, respirou fundo, parecia cansada mas afinal sorriu, olhou para o céu e exclamou: Menino, se tem que se ir embora hoje, é partir já, que vêm ali núvens bem carregadas.
Espero boas notícias e piscou-me o olho.

Sunday, June 18, 2006

Tia Ofélia

Subi as escadas lentamente. O meu coração batia apressado. Que me quereria esta tia tão querida mas ao mesmo tempo tão enigmática. Vivia quase como eremita, mantinha beleza, bom porte, desenvoltura e um sorriso franco que a tornavam uma mulher atraente. Teria quase setenta anos e ninguém diria. Que me quereria ela!? Convocou-me, sim convocou-me para este encontro como se de algo de solene se tratasse.
Sobe meu filho, sobe, faz uma manhã já bastante quente mas aqui estaremos bem. Entrei na sala deste seu refúgio de aldeia. Aqui vivia desde que se reformara. Era uma sala simplesmente mobilada e no entanto sabia-se que possuía bens que lhe podiam permitir todos os requintes.
Senta-te. Chamei-te aqui porque tomei uma decisão importante e tu vais ficar implicado nela.
Apressou-se a minha frequência cardíaca.
Tenho um espólio patrimonial e em dinheiro razoáveis que vou entregar aos meus filhos. A minha reforma é suficiente para a minha subsistência. Levo aqui nesta casa uma vida dedicada à leitura, reflexão e escrita e quero que doravante sejam estas as minhas ocupações principais.
Pouco saio e já não tenho ambições de viajar para longe ou de gastar dinheiro para além do necessário à vida simples que levo.
Desde que o meu marido morreu, sim o teu tio José, que me dediquei ao ensino que foi sempre a minha profissão e a cuidar da educação dos meus filhos. Não descurei os convívios familiares com os meus irmãos, restante família, mas sempre no comedimento que o meu feitio impunha. Cumpri a minha missão: meus filhos são independentes e estão bem, não deixei afundar as reservas de aforro que meus pais e meu marido me deixaram, completei há seis anos a minha vida de profissional. Enfim acho que combati o bom combate, dei de mim o suficiente, agora quero o tempo que me resta para mim. Sorriu era um sorriso lindo, próprio de uma pessoa diria mesmo imaculada.
Perguntarás que tens tu a ver com tudo isto? Adivinhou tia, onde entro eu neste enredo? Arrastei esta palavra dando-lhe uma tonalidade um pouco jocosa e sorri. Os nossos olhos fixaram-se com tal intensidade que o meu cérebro reagiu com dor.
Teu pai era o meu irmão preferido: havia nele uma alegria desmesurada que em ninguém mais encontrei. Viver, para ele, era irradiar constantemente energia, confiança, riso. Mas também quando se virava...Há muitos anos ah! não me esqueço, como me posso eu esquecer de uma viagem de comboio entre Cascais e Lisboa em que ele pôs toda aquela carruagem a rir pelas histórias picarescas que contou, pelas gargalhadas que soltou, pelos sopros de alegria que lhe pulavam dos olhos. Lembras-te da reconstrução da casa dos teus avós? Ele tinha quase quarenta anos , era um homem de escritório e meteu mãos e braços com os operários como se de um deles se tratasse, sem mostrar cansaço e com uma força tão irresistível que a todos contagiava. Era um homem pleno de rectidão, sentido de responsabilidade e de solidariedade, guardando um coração generoso, carregado de entusiasmo infantil.
Foi uma grande perda. Tia não me fale de meu pai por favor, pois desato para aqui a chorar e não estarei em condições de a ouvir mais. Está bem, está bem. Tens razão.
Sei que és diferente de teu pai, introvertido, dado à leitura e reflexão, mas tens o mesmo coração generoso e gostas de ouvir as pessoas, o que é um bem raro, como sabes. E, acima de tudo, és um intelectual.
Tia está a exagerar. Está bem, está bem, adiante.
Estou a escrever, melhor dizendo, tenho um caderno de apontamentos onde estão muitas das minhas reflexões sobre os mais variados temas, particularmente sobre a minha Fé. Mas a tia ainda é católica não é verdade? Sou filho, mas um pouco herética . Como sabes o facto de não ser muito religiosa trouxe-me algumas críticas e mesmo alguns dissabores. Mas sempre fui e sou uma pessoa fascinada por Jesus. Quero compartilhar contigo estas reflexões, ouvir as tuas críticas, confrontar opiniões. Ninguém escreve para si somente. É preciso ter público e ter críticos. Elegi-te para esta função. Mas e os seus filhos, tia? Os meus filhos são excelentes, mas não ligam a estas coisas: consagro-te meu herdeiro intelectual ( riu-se) e meu interlocutor preferencial.
Sinto-me lisonjeado tia mas não tenho gabarito cultural suficiente e também não disponho de muito tempo... Eu sei mas a tua probidade e a tua mente estão melhores do que nunca, pois não estou surda aos comentários que me chegam sobre a tua valia . Oh! tia, isso não é nada assim. Pois, pois, está bem, modéstia em excesso também não fica bem. Além disso não tenho pressa.
Portanto menino leia o que escrevi e agora venha beber chá de camomila e comer uns biscoitos que preparei.

Saturday, June 10, 2006

Dez de Junho

As armas e os barões assinalados
Que, da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana
E em perigos e guerra esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

Esta estrofe resume aquilo que mais marca para mim a capacidade do português: o espírito de aventura e da descoberta, a atracção pela novidade, a vontade de correr riscos no limite do conhecimento técnico e no desassombro perante o desconhecido. E para além de tudo isto o Mar, esse imenso espaço cheio de imprevistos, esse imenso alfobre de seres tão diferentes dos da "terra", mas também esse desafiador da nossa imaginação quando, na praia o vemos convergir no horizonte com o Céu e nos preenche todo o campo visual.

Fomos e somos assim sedentos de aventura, orgulhosos por vezes por nos sentirmos diferentes dos outros povos europeus na história, mas frágeis quando nos apercebemos da nossa pequenez.E esta nossa fragilidade resvala facilmente para a descrença em nós próprios, para o desânimo e mesmo para ideias suicidas. Uma muito corrente é essa de que foi uma asneira o 1640. A preguiça é uma boa desculpa para a miséria nacional. Somos porreiros lá fora. Aqui somos lamurientos, indisciplinados, egoístas, não cooperantes. Enfim somos calorosos, ternurentos e por aqui nos ficamos.
O ditador Salazar ajudou a este sentimento de incapacidade ao não acreditar nos portugueses e na liberdade. Retirou-nos projecção ao querer-nos orgulhosamente sós e pobres. Foi um guardião do Templo, sem dúvida, mas de um templo vocacionado para a lembrança do passado e sem perspectiva de futuro que não fosse somente garantir o património imperial.

O nosso património essencial somos nós. E é esse Nós que eu celebro hoje, esperançado que se possa valorizar cada vez mais em saber e espírito empreendedor, agarrando do passado a energia para fazer deste recanto um país e não uma manta de retalhos do melhor e do pior que se pode fazer em urbanismo, civilidade e gestão de recursos humanos.

Gosto imenso de futebol, o meu clube é a selecção nacional, mas o nosso orgulho e valor não pode ser carambolado somente numa bola por onze jogadores num relvado.

Mas não deixarei de estar amanhã em frente ao televisor a gritar pela selecção. E acompanhado por malta nova, amigos dos meus filhos.

Saturday, June 03, 2006

O Sr. Welch, "Portugal de Rastos" e mais algumas considerações

O que li na Visão da passada quinta-feira coloca a crítica do Sr. Jack Welch não nos portugueses em geral, mas na classe dirigente que o ouvia- economistas, gestores e governantes- e assim " o humilhante", " deveriam estar envergonhados" não se dirigia a Portugal, mas sim a quem tem a responsabilidade e o dever de saber orientar, gerir e perspectivar o desenvolvimento. E ainda por cima ganham muito acima do comum dos mortais deste país.
Pelo que me foi dado perceber aqueles senhores levaram nas orelhas e ... gostaram.

Quer dizer: convidam um estrangeiro, pagam-lhe bem, muito bem, por certo, para vir debitar coisas que eles já conhecem(pois não são burros de todo), permitem que tal sumidade, pela projecção mediática que tem, ponha este país de rastos( mais um ) e ficam muito contentes, indo em seguida beber um copo e esquecer.

Pois eu não bebo o copo, não esqueço e não acho graça.

Governem esta língua de terra com coragem e verão que o país afinal não se "afunda".

E os senhores chairmen deste mundo, governado pelas multinacionais como as que dirigem, que se lembrem que os enormes lucros que as suas empresas conseguem, não são para criar a felicidade em Marte, Júpiter ou Saturno, mas para criar riqueza nesta Terra, reduzindo cada vez mais o desemprego, logo a fome e a miséria.

Acumular lucros sobre lucros, entrando na espiral da concorrência "lucrista", ( A QUAL não pode ter menos lucros que A TAL), ou aplicando tais lucros na compra de outras empresas que depois curiosamente não geram postos de trabalho siginificativos, é uma perspectiva de crescimento insalubre e portanto estúpida.

Estes senhores andam a brincar com a pobreza que grassa no mundo, fazendo girar as suas empresas de um sítio para outro sempre à procura de mão de obra mais subserviente e nem sempre mais qualificada. Estão-se muitas vezes nas tintas para os Direitos Humanos, escolhendo países em que não há sindicatos ou direitos de cidadania, e andam por aí a dar lições.

Nenhum país hoje em dia se "salva" sozinho: nem USA, nem Austrália, nem Burundi, nem China, nem Japão, Malásia, India, Portugal , Timor, Bolívia ou Canadá. Nenhum. O mal estar económico numa qualquer área do globo, afectará o negócio de países num segmento oposto do planeta.

Precisa-se de uma nova cultura empresarial tanto para patrões como para empregados, em que o bem comum seja a principal riqueza a acumular.

Temo que esta Terra venha a passar por grandes e graves convulsões se tudo continuar como está.

Sunday, May 28, 2006

Faça o favor de entrar em minha casa e dela maldizer

Segundo o Público de ontem (pag. 37) o senhor Jack Welch ex-líder da General Electric, numa conferência para executivos portugueses organizada pelo Jornal de Negócios terá afirmado: " é humilhante para os portugueses a percepção que o exterior tem de Portugal, que é a de uma contínua degradação e declínio ao longo dos últimos anos(...) Jack Welch disse que lhe faz impressão que não estejamos envergonhados. Em causa, a falta de iniciativa, de espírito de risco e de capacidade de inovação".

Independentemente da razão que este senhor possa ter, não me estou a ver ser convidado para casa de uma pessoa e dizer aos donos da casa que ela está suja, mal arranjada e mal gerida, por muita razão que tivesse.

Talvez questão de delicadeza que o mundo dos negócios mal conheça.

Meu Deus, meu Deus...

" Um grupo de neonazis alemães está a preparar uma manifestação de apoio ao presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad para o dia do encontro entre as selecções de Portugal e do Irão a realizar no dia 17 de Junho em Frankfurt(...). Segundo noticiou na sua edição on-line a revista germânica Focus, a marcha irá decorrer sob o lema " encontro de amizade com o Presidente Ajmadinejad", numa referência ao lema do Mundial," o encontro da amizade" e em sintonia com as declarações anti-semitas do líder iraniano"- in Público de hoje pag. 45.

Deus permita que a malvadez desta notícia não se confirme. Mas que as abjectas declarações daquele senhor presidente, iriam ou irão desaguar em violência contra a dignidade humana e não somente contra o estado judaico, era expectável.
Talvez algum ente superior- quem sabe a Senhora da Fátima- livre a Humanidade desta cataclítica manifestação. AMEN.

Coro da Universidade Nova de Lisboa

Começo por elogiar o Coro da UNL, actualmente sob a direcção do Maestro João Valeriano, que nos presenteou ontem na Reitoria da UNL com um concerto de Primavera magnífico. Obras de Tomás Luis de Victoria e W. Amadeus Mozart . A Missa Brevis em Fá Maior(KV192) deste último compositor, em versão canto e piano com soprano, contralto, tenor e baixo, foi um momento sublime.
Para os cerca de 40 elementos deste Coro e seu Maestro as minhas palmas. BRAVO.

Tuesday, May 23, 2006

E ainda mais esta

E de novo mais papoilas e outras flores


Estas são de Évora.
Nas fotografias anteriores estamos na zonas de Mourão, Monsaraz e Évora.
A minha paixão pelo Alentejo vem da infância e torna-se cada vez mais marcante.
Partilhar é a minha intenção.
Foi um grandioso fim de semana.