Saturday, June 03, 2006

O Sr. Welch, "Portugal de Rastos" e mais algumas considerações

O que li na Visão da passada quinta-feira coloca a crítica do Sr. Jack Welch não nos portugueses em geral, mas na classe dirigente que o ouvia- economistas, gestores e governantes- e assim " o humilhante", " deveriam estar envergonhados" não se dirigia a Portugal, mas sim a quem tem a responsabilidade e o dever de saber orientar, gerir e perspectivar o desenvolvimento. E ainda por cima ganham muito acima do comum dos mortais deste país.
Pelo que me foi dado perceber aqueles senhores levaram nas orelhas e ... gostaram.

Quer dizer: convidam um estrangeiro, pagam-lhe bem, muito bem, por certo, para vir debitar coisas que eles já conhecem(pois não são burros de todo), permitem que tal sumidade, pela projecção mediática que tem, ponha este país de rastos( mais um ) e ficam muito contentes, indo em seguida beber um copo e esquecer.

Pois eu não bebo o copo, não esqueço e não acho graça.

Governem esta língua de terra com coragem e verão que o país afinal não se "afunda".

E os senhores chairmen deste mundo, governado pelas multinacionais como as que dirigem, que se lembrem que os enormes lucros que as suas empresas conseguem, não são para criar a felicidade em Marte, Júpiter ou Saturno, mas para criar riqueza nesta Terra, reduzindo cada vez mais o desemprego, logo a fome e a miséria.

Acumular lucros sobre lucros, entrando na espiral da concorrência "lucrista", ( A QUAL não pode ter menos lucros que A TAL), ou aplicando tais lucros na compra de outras empresas que depois curiosamente não geram postos de trabalho siginificativos, é uma perspectiva de crescimento insalubre e portanto estúpida.

Estes senhores andam a brincar com a pobreza que grassa no mundo, fazendo girar as suas empresas de um sítio para outro sempre à procura de mão de obra mais subserviente e nem sempre mais qualificada. Estão-se muitas vezes nas tintas para os Direitos Humanos, escolhendo países em que não há sindicatos ou direitos de cidadania, e andam por aí a dar lições.

Nenhum país hoje em dia se "salva" sozinho: nem USA, nem Austrália, nem Burundi, nem China, nem Japão, Malásia, India, Portugal , Timor, Bolívia ou Canadá. Nenhum. O mal estar económico numa qualquer área do globo, afectará o negócio de países num segmento oposto do planeta.

Precisa-se de uma nova cultura empresarial tanto para patrões como para empregados, em que o bem comum seja a principal riqueza a acumular.

Temo que esta Terra venha a passar por grandes e graves convulsões se tudo continuar como está.

5 Comments:

Blogger Rosmaninho said...

Não sou pessimista mas... já fui mais optimista.

"...bem comum... principal riqueza a acumular..."
O egoísmo é cada vez maior, neste planeta...

~*Um beijo*~

8:42 PM  
Blogger amigona said...

Partilho das tuas preocupações... como será o futuro dos nossos netos? e bisnetos?

Sei que a esperança nunca morre e a luta é o caminho...
abraço...

9:14 PM  
Blogger alfazema said...

A história di-lo. As convulsões são cíclicas e repõem o equilíbrio económico , social e político dos países. Espero e assim o desejo, embora sem grande crença, que esta crise mundial se repare sem perda de vidas humanas. Há muita coisa errada, muita injustiça, uma grande discrepância social e económica entre uns e outros, abissal mesmo, pelo que não sei qual a cirurgia adequada a tão grande "doença".
Beijitos para o amigo alentejano

11:31 PM  
Blogger alfazema said...

Manuel

Só agora reparei que a personagem principal do meu conto de hoje era um teu homónimo.
Tu já sabes que eu gosto muito deste nome.
Beijinhos e não sejas pessimista.
Acredita sempre na capacidade de regeneração dos homens.

2:39 PM  
Blogger bonifaceo said...

Não percebo nada de Economia, nem de política, mas muitas situações são consentidas pelos Governos. Por exemplo, quem tem culpa de haver mão-de-obra infantil? Quem não se esforça por isso acabar? Ou por melhorar as condições salariais (ordenado mínimo)?
Um abraço.

3:27 AM  

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